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ANTES E DEPOIS DA CONVERSÃO

“Quando o Senhor restaurou a sorte de Sião, ficamos como quem sonha. Então, a nossa boca se encheu de riso, e a nossa língua, de júbilo; então, entre as nações se dizia: Grandes cousas o Senhor tem feito por eles. Com efeito, grandes cousas fez o Senhor por nós; por isso, estamos alegres. Restaura Senhor, a nossa sorte, como as torrentes no Neguebe. Os que com lágrimas semeiam com júbilo ceifarão. Quem sai andando e chorando, enquanto semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus feixes” (Salmo 126)

O salmista no capítulo acima nos mostra com clareza os dois estágios pelos quais Israel passou após o cativeiro. Com esta história quero introduzir falando sobre os dois estágios que o cristão também passa após seu encontro com o Senhor.

Jerônimo traduz a expressão do verso um, da seguinte forma, “quando o Senhor reconduziu os cativos para Sião”, ou seja, quando Deus os trouxe de volta para sua terra de origem, de onde vieram. O contexto do povo de Deus nesta passagem dá-se logo após sua saída da Babilônia, lugar onde ficaram escravos por cerca de 70 anos. Antes da invasão dos babilônicos, a nação de Israel nunca imaginou a possibilidade de sucumbirem diante dos seus inimigos. Achavam que pelo fato de serem ‘o povo de Deus’, ‘filhos de Abraão’ e também por habitarem num lugar santo e prometido, estariam com isso imunes a todo ataque e domínio estrangeiro, e isso independente de cumprirem ou não a Palavra de Deus, ou seja, a sua ordem. Mas com a derrota perante os seus adversários, Deus lhes ensinou a importância de o servirem não apenas de boca ou nominalmente, mas de fato e de verdade.

Setenta anos em cativeiro, não haveria coisa mais terrível para um povo que conhecia a Deus! Mas finalmente, o tempo de disciplina estava cumprido, agora estamos livres, diziam eles. É exatamente neste momento de retirada do ‘cativeiro’ que o salmista escreve dizendo, “Quando o Senhor restaurou a sorte de Sião, ficamos como quem sonha. Então, a nossa boca se encheu de riso, e a nossa língua, de júbilo; então, entre as nações se dizia: Grandes coisas o Senhor tem feito por eles”. Dá pra você imaginar como estava alegre o coração deste povo neste momento? Que grande alegria, até parecia um sonho! Eu acredito que assim é também conosco no momento da conversão, após a saída do cativeiro. É um momento de gozo, de alegria e de festa. Ficamos às vezes sonhando de olhos abertos e pensando, “puxa vida, porque eu não me converti antes, quanto tempo perdido neste mundo…”. Engraçado que até as pessoas (aqui no texto, nações) ficam também comentando ao nosso respeito, “Lembra-se daquele fulano? Nem te conto. Sua vida está completamente mudada, está feliz, alegre, livre dos vícios! Deus fez grandes coisas por ele!”. Não é assim mesmo que acontece após nossa conversão ao Senhor? Voltar-se para Deus é algo glorioso. No entanto, este é apenas o primeiro estágio.

Quando o salmista registra o povo saindo do cativeiro, ele diz, “Quando o Senhor restaurou a nossa sorte…”, isto é, agora fora do cativeiro, Israel tem a oportunidade de viver livre e não mais debaixo do jugo inimigo. O povo agora está a caminho de casa. Que grande alegria! São setenta anos fora de sua terra. Dias, semanas e até meses de caminhada até Sião, mas, no entanto o clima de alegria permanece. Depois de uma longa caminhada, a terra natal já pode ser avistada. Mas o que é isso? Começam a perguntar um ao outro. Grande foi a surpresa daquele povo. Onde estão os muros de Jerusalém? Começam a questionar. E o templo? Onde estão também nossas casas? E as plantações, todas se acabaram? O clima emocional parece arrefecer-se imediatamente…É o segundo estágio após a saída do cativeiro e também após nossa conversão. É neste momento que o salmista toma a sua caneta e põe-se a orar e a escrever dizendo, “Restaura, Senhor, a nossa sorte, como as torrentes no Neguebe. Os que com lágrimas semeiam com júbilo ceifarão. Quem sai andando e chorando, enquanto semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus feixes” (v.4-6).

Israel está perplexo com o fato de que agora precisam restaurar o que um dia esteve de pé. Setenta anos fora de casa, no cativeiro, no mundo, fez com que a terra permanecesse também setenta anos abandonada, nas mãos do inimigo. Este povo agora se depara com uma grande lição: O cativeiro acabou, mas as marcas dele ficaram. Agora, é tempo de reconstrução, tempo de restauração, tempo de reerguer os muros, reconstruir as casas e, sobretudo, tempo de reerguer as paredes do templo e restaurar a adoração e o serviço divino. Assim também conosco: após nossa conversão, que maravilha, quantos sonhos e surpresas. Mas chega um momento semelhante a este de Israel, quando nos deparamos com muitas áreas de nossas vidas que estão em completa destruição: são as marcas do cativeiro, ou seja, a conseqüência de termos permanecido tanto tempo no mundo, expondo-nos à ação deliberada do nosso adversário. Estas áreas podem ser o casamento, as finanças, nossas vidas espirituais, reputação, etc. Este é o segundo estágio após nossa conversão…Nossa oração precisa ser como a do Salmista, “Restaura, Senhor, a nossa sorte”!

Nem Tudo Está Acabado Após a Conversão

Eu usei esta analogia, para mostrar que a idéia de que quando nos convertemos, já está tudo pronto e acabado, não passa de um engano! É interessante que o próprio salmista inicialmente pensou também assim, quando afirmou que Deus havia restaurado a sorte do seu povo. Mas foi um equívoco temporário, pois entendeu mais adiante que a restauração não havia sido plena no momento em que ‘saíram do cativeiro’ e que havia agora muito obra para se fazer. É por isso que depois, no versículo quatro, ele se põe a orar dizendo, “restaura, Senhor, a nossa sorte…”. Igualmente, existem muitas pessoas que pensam que no momento em que se convertem, passam a experimentar imediatamente tudo aquilo que Deus quer que elas experimentem, ou então, que já experimentaram toda obra da cruz. Eu acredito que as coisas não são bem assim. O fato da obra da cruz ter sido plenamente completa e acabada, não quer dizer que eu já tenha sobre a minha vida tudo aquilo que Cristo veio fazer por mim. Quanto a isso, o reformador João Calvino muito bem nos alertou,

“Já salientei que Cristo não deixou inacabada nenhuma parte da obra da nossa salvação; mas não devemos inferir disso que já possuímos todos os benefícios obtidos por ele para nós, pois… com verdade: ‘…em esperança fomos salvos’; ‘ainda não se manifestou o que haveremos de ser’. … Nesta vida atual desfrutamos de Cristo à medida em que o abracemos por meio das promessas.”

Eu acredito que situação semelhante ocorreu na tomada da terra de Canaã. Deus a prometeu desde a época de Abraão, mas foi Josué propriamente que introduziu o povo na terra. No entanto, embora a terra lhes pertencesse por promessa, Deus lhes disse,

“Quando houveres passado o Jordão para a terra de Canaã, desapossareis de diante de vós todos os moradores da terra, destruireis todas as pedras com figuras e também todas as suas imagens fundidas e deitareis abaixo todos os seus ídolos; tomareis a terra em possessão e nela habitareis, porque esta terra, eu vo-la dei para a possuirdes” (Nm 33:51-53)

E a Josué disse também o Senhor,

“…dispõe-te, agora, passa este Jordão, tu e todo este povo, à terra que eu dou aos filhos de Israel. Todo lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo tenho dado, como eu prometi a Moisés (…) Sê forte e corajoso, porque tu farás este povo herdar a terra que, sob juramento prometi dar a seus pais” (Js 1:2,3,6)

Em outras palavras, Deus está dizendo ao seu povo: Vocês tem esta terra por promessa, agora entrem lá e tomem posse! Responda-me uma coisa: o que aconteceria se o povo de Israel não fosse e tomasse a terra? Simplesmente, deixariam de experimentar esta promessa divina. De fato, toda uma geração morreu no deserto por não crer na promessa do Senhor. Lembra-se das gerações dos dez espias incrédulos? Pois bem, eles eram filhos da promessa, mas morreram sem elas. Não tomaram posse, não creram naquilo que Deus lhes havia prometido.

Eu acredito que assim também se dá conosco em relação à cruz de Cristo. Temos todas as promessas à nossa disposição, mas parece que muitos de nós não se apropriou disto. Existem cristão que vivem como escravos e não como filhos de Deus, conforme João 1:12. Se acham perdedores, embora a Bíblia lhes declare que são mais do que vencedores. Precisam com urgência renovar suas mentes, conforme Paulo nos ensina em Romanos 12:1,2.
Estágios da Obra de Cristo no Homem

Este é um ponto que poderia ser em demasia teológico, mas este não é meu objetivo aqui. Rapidamente vamos esclarecer algumas terminologias bíblicas e como elas se enquadram no processo de transformação do homem à semelhança de Cristo.

Primeiramente, como uma pessoa se converte a Jesus?

Sempre escutando a voz de Deus:

Esta voz pode ecoar-se a partir da própria Palavra de Deus escrita e/ou pregada (com a maioria é assim) ou também de um modo sobrenatural, assim como foi a experiência de Paulo, quando a caminho de Damasco, ouvi literalmente a voz do Senhor(At 9). O Apóstolo escreve também em Romanos 10:14, “Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram?”. Diante da voz de Deus, o homem pode reagir crendo ou não, endurecendo ou abrindo o seu coração. É certo que a voz de Deus é poderosa para quebrar os ‘cedros do Líbano’ e fazer quebrantar o mais vil pecador.

Crendo e Confessando:

Veja o que diz o texto sagrado, “Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo” (Rm 10:9). Relatou-nos também Lucas em Atos 19:18, “Muitos dos que creram vieram confessando e denunciando publicamente as suas obras”. Crer é responder com fé à mensagem ouvida e confessar é declarar Cristo como nosso único e suficiente salvador.

Arrependimento e Confissão de Pecados:

Aqui está um ponto que tem me deixado preocupado. Sempre na Bíblia as conversões são precedidas de arrependimento. Alguns teólogos tentam colocar o arrependimento como uma experiência que se dá após a justificação e também regeneração, mas se fizermos uma análise atenta dos textos bíblicos, veremos que o arrependimento é exigido antes da conversão e em alguns momentos até mesmo antes de se crer no filho de Deus (cf. Mc 1:15). Algumas passagens podem comprovar isto:

“ Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus” (Mt 3:2)
“ Daí por diante, passou Jesus a pregar e a dizer: arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus” (Mt 4:17)
“Dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc 1:15)
“…Vós, porém, mesmo vendo isto, não vos arrependestes, afinal, para acreditardes nele” (Mt 21:32)
“Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados” (At 2:38)
“Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados” (At 3:19)
“Ora, não levou Deus em conta os tempos de vossa ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam” (At 17:30)

Nas passagens expostas, o indivíduo precisa arrepender-se para ‘esperar o reino dos céus’, ‘para crer’, ‘para ser remido dos seus pecados’ e também para ‘converter-se’. Se o arrependimento é uma mensagem tão central nos evangelhos, a ponto de ser a primeira atitude ensinada por Jesus (aliás, Mateus registra que esta foi a primeira palavra proferida por Jesus após inaugurar seu ministério), qual tem sido o nosso entendimento sobre tal postura perante Deus e como pode dar-se o arrependimento? Primeiramente, precisamos entender que a palavra arrependimento vem do grego metanoia, e quer dizer literalmente, mudar a mente. Significa então uma mudança mental, uma completa transformação da nossa mente em relação àquilo que desagrada a Deus. Arrependimento é também sentir a dor pelo nosso pecado e entender também que o mesmo entristeceu profundamente o coração de Deus. Arrependimento é uma ordem bíblica, não é uma opção, é questão seriíssima!

Um questionamento meu tem sido: Assim como Jesus nos ensinou, temos ensinado as pessoas que antes de se converterem precisam se arrepender de seus pecados? As pessoas que se convertem em nossas igrejas tem experimentado o arrependimento? Ou não? Preocupa-me o fato de que as vezes só levamos as pessoas a confessarem a Jesus, mas não as levamos à confessar seus pecados. Outras vezes, muitos antes de se entregarem a Cristo, fazem uma mera confissão formal de seus erros, sem ao menos experimentarem o que é de fato arrependimento. Fica aí uma pergunta: O que acontece quando não confessamos os nossos pecados a Cristo no momento de nossa conversão? É necessário fazermos isso, se é que não o fizemos, mesmo que já tenhamos entregado nossas vidas a Cristo? Sinceramente, eu tenho crido que sim…

Biblicamente, o arrependimento é uma experiência que se dá antes e também após nossa conversão ao Senhor. Veja isso em algumas passagens . Uma outra coisa também a questionar-se é o modo como deve dar-se o arrependimento. Os meios principais são dois: Primeiro, confessando o pecado e depois, produzindo frutos dignos de arrependimento. Confessar pecados é fruto de nosso coração arrependido, isto é, quando o fazemos sinceramente. João diz, “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (I João 1:9). Mas esta confissão deve ser genérica ou específica? Ou seja, devemos nos chegar a Deus e dizer, “Senhor, são tantos pecados que não posso contar….”? Ou então, “Senhor, perdoe a multidão dos meus pecados…”?, etc. Será que este é o modo correto de confessar nossa iniqüidade a Deus? Eu particularmente, acredito que não. Se os nossos pecados foram praticados a varejo, porque confessá-los por atacado? Cada pecado, na medida de nossas possibilidades deve ser confessado individualmente, pois cada um deles feriu profundamente o coração de Deus. Interessante que esta confissão específica foi defendida pela Confissão de Fé de Westminster escrita no século XVI, adotada pelas Igrejas Reformadas. Veja o que consta no capítulo sobre arrependimento,

“Os homens não devem se contentar com um arrependimento geral, mas é dever de todos procurar arrepender-se particularmente de cada um de seus pecados”

Veja também a declaração de Charles Finney, o grande evangelista que Deus usou poderosamente no avivamento dos Estados Unidos,

“Passemos em revista a história do nosso passado. Tomemos, um a um, os nossos próprios pecados e examinemo-los. Não quero dizer que devemos dar um simples relance à vida passada, verificando que foi repleta de pecados, para então ir a Deus fazendo-lhe uma espécie de confissão geral e pedindo perdão. Não é assim. Temos que toma-los um a um. Seria aconselhável tomar nota de cada um à medida que nos lembrarmos. Devemos revê-los com o mesmo cuidado que um comerciante revisa os seus livros, e todas as que nos vier à memória um pecado, acrescentemo-lo à lista. Confissões gerais de pecado não servem. Nossos pecados foram cometidos um a um, e até onde nos for possível apura-los, devemos nos arrepender de um por um”

Em relação ao arrependimento, já chegamos até aqui a duas conclusões: Primeiro, o arrependimento precisa estar presente nas conversões e se tal atitude não se evidenciou no período de nossa entrega ao Senhor, é preciso que se faça este ‘acerto’ com Deus. A segunda coisa, é que na medida do possível, o arrependimento deve ser específico. Confissões gerais a Deus talvez sejam tão ineficazes como quando alguém confessa erros de modo superficial ao outro que está ferido. Confissões gerais não curam, não libertam e também não restauram, até mesmo os relacionamentos mais distantes.

Para finalizar esta parte só gostaria de enfatizar duas coisas: Primeiro, que o tempo por si só não apaga os nossos pecados. Alguns pensam que vai chegar um momento em que Deus se esquecerá de tudo que fez de errado na sua vida, mesmo que não confesse estes pecados. Querido irmão, o pecado não tem prazo de validade. Não é um tipo de mercadoria que com o tempo torna-se descartável e assim perde sua validade. Não! Só há uma coisa que pode dar jeito em nossos pecados: O Sangue de Jesus. Veja o que diz em Hebreus 9:22, “E, sem derramamento de sangue, não há remissão”. Ele já foi derramado por nós na cruz e por isso temos a possibilidade do perdão. Mas como experimentar isso? João responde, “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (I João 1:9). A confissão é o modo de apropriação do poder remidor do sangue de Cristo!

Finalmente, há que se dizer que os nossos pecados tem nome. Quando Paulo escreve aos gálatas ele diz que as obras da carne são conhecidas, e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias, etc. Veja Paulo foi específico em dizer o nome de cada pecado. Em Deuteronômio 27, quando ali Deus profere as causas das maldições, é também especificado tipo de pecados que atraem as maldiçoes. Por que nestas duas situações Deus não disse logo, e vamos assim dizer, pra encurtar conversa, “Tudo de errado que vocês fizerem, me desagrada…” ou então, “Todos os pecados atraem a maldição…”, etc. Não, não é assim que Deus faz. Ele menciona o nome de cada erro e em outras palavras, o que Ele quer nos ensinar é que cada um dos nossos pecados tem um nome. Por isso, quando for confessar seu pecado a Deus, ao invés de dizer, “Senhor, perdoe os meus pecados…”, diga, “Senhor, perdoe a minha mentira, os meus maus pensamentos, minha inveja, etc…tem misericórdia de mim Senhor, me lava no sangue de Jesus”. Só para ilustrar, veja, por exemplo: Quando você errar com alguém, invés de perdir-lhe perdão dizendo, “fulano, me perdoe por qualquer coisa aí, ok?” ou então, “vai me desculpando de qualquer mau que eu tenha lhe causado”. Ao invés disso, diga o que você fez de errado, dê nome ao seu erro, diga: “Paulo (por exemplo), eu quero lhe perdir perdão pelas duras palavras que eu lhe disse naquele dia. Na verdade você não é nada daquilo. Me perdoe por ter lhe humilhado em público, sei que fiz errado, mas perdoe, por favor…”. Ou o marido pode dizer a esposa, “Meu amor, me perdoe sinceramente por ter-lhe traído, nunca especifiquei meu erro com você e sei que isso até hoje atrapalha nosso relacionamento”. Dar nome aos erros e confessá-los especificamente, tem um poder enorme do ponto de vista espiritual e também emocional. A experiência nos aconselhamentos tem nos mostrado que um pedido de perdão geral, quase sempre gera uma cura igualmente geral, ou seja, sem profundidade, consistência e também durabilidade. Eu creio que Deus através do nosso arrependimento pode restaurar tanto o nosso relacionamento com Ele assim como outros relacionamentos que estejam quebrados.

Conversão

Após o homem ter contato com a Palavra de Deus, escutando a voz do Senhor, crer fielmente e arrepender-se, terá agora que se voltar para Deus. A conversão é um volver-se para Deus. Para melhor explicar isso vamos imaginar o exemplo de alguém que está dirigindo um carro. Imaginemos também que esta pessoa está numa viagem com destino a São Paulo. Entretanto, mal sabe ela que a estrada em que está lhe levará para um lugar que não é São Paulo, por exemplo, Pernambuco. Pois bem, quais seriam os meios de levá-la a tomar a estrada certa? Primeiro terá que ouvir alguém falar consigo que o lugar para onde vai está errado. Isto aqui em nossa aplicação, seria ouvir a voz de Deus. Em segundo lugar, crer naquilo que está ouvindo, pois ouvir simplesmente que se está na estrada errada e que deve tomar a certa, por si só não resolve nada, a não ser que haja fé em quem ouve. Por isso, falamos também da importância da fé em Deus e na sua palavra. Em terceiro lugar, vem o arrependimento, ou seja, é preciso que haja uma reação do tipo, “puxa vida, o caminho em que estou não vai me levar onde quero, vou voltar, não vou continuar no erro”. Isso seria o mesmo que alguém após ser confrontado por Deus, dizer, “Puxa, Senhor, eu quero mesmo uma nova direção em minha vida, chega de caminhos tortuosos e que te desagradam, eu quero andar nas tuas veredas que vão me conduzir ao céu…”. Isto é arrependimento.

Usando ainda a nossa analogia, eu acredito que no momento em que o indivíduo pára o seu carro, toma a estrada certa e percorre o caminho rumo ao alvo, aconteceu de fato a ‘conversão’. Conversão então, é a retomada do caminho certo, é voltar-se para o Deus certo, aquele que nos criou e que tem nos chamado para uma nova vida em sua presença. Quando declaramos Jesus Cristo como nosso único e suficiente salvador, nos arrependemos e passamos a buscá-lo com o coração aberto, podemos dizer que experimentamos o que a Bíblia chama de conversão. É isso que está registrado em algumas passagens, como em Atos 3:19, “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados”. Veja o que Pedro disse também em sua primeira epístola, “Porque estáveis desgarrados como ovelhas; agora, porém, vos convertestes ao Pastor e Bispo da vossa alma” (2:25). Em outras palavras, é preciso tomar o ‘volante do carro’ (e porque não dizer de nossas vidas?) e dirigir em direção ao pastor de nossas almas, Jesus Cristo. Isto sim é conversão!

Regeneração

Após arrependidos e convertidos, dois milagres instantâneos acontecem em nossas vidas: a regeneração e a justificação. Primeiramente, a regeneração é um termo que aparece em algumas passagens da Bíblica. Por exemplo, Pedro a menciona por duas vezes na sua primeira carta, “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança….” (1:3) e também mais adiante, “pois fostes regenerados não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente”. Mas o que é ser regenerado? Esta palavra no grego tem sentido de gerar, gerar de novo, dar à luz, dar nascimento. Ser regenerado é viver uma nova vida, conforme nos ensinou Paulo em 2 Cor 5:17, “E assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura”. É a oportunidade que Deus nos dá de recomeçarmos tudo. Mas para este recomeço, é preciso que haja uma mudança interna, em nossas disposições, pensamentos e desejos. Só podemos viver uma nova vida, se de fato, formos novas pessoas. Em Cristo isso é possível. Na regeneração Deus nos comunica vida espiritual e nos faz estar vivos perante ele e não mais mortos nos nossos pecados conforme Efésios 2:2. É claro que isso acontece mediante a habitação do Espírito Santo em nós. É preciso dizer também que este milagre somente Deus pode fazer e que o mesmo, é instantâneo e acontece mediante nossa entrega ao Senhor Jesus.

Todos os que já nasceram de novo, já experimentaram o milagre da regeneração. É uma mudança tão radical, que o mundo e os antigos amigos, não podem entender. Paulo, após regenerado, mudou tão completamente a sua vida, que passou a pregar a fé que outrora vivia perseguindo. Sua mudança foi tão abrupta, que até mesmo alguns cristãos da época ficaram a duvidar se realmente ele era ou não um novo homem. O milagre da regeneração é mesmo um grande milagre, pois vemos como Deus realmente pode mudar-nos por dentro e nos fazer completamente diferentes e novos. É uma grande alegria! No entanto, é preciso que se saliente, que este evento divino, não se processa instantaneamente em nosso alma assim como em nosso corpo, no momento da conversão, tornando-nos perfeitos nestas esferas. Isso não!. A promessa bíblica é a de uma recriação em nosso espírito, pois foi assim que Jesus explicou a Nicodemos, “…e o que é nascido do Espírito é espírito”. A partir do novo nascimento, nossa alma e corpo, estão num processo de aperfeiçoamento que as Escrituras chamam de santificação. Mais adiante voltaremos a este ponto.

Justificação

Agora chegamos ao momento de explicarmos o que é justificação. O termo aparece em diversas passagens na Bíblia, principalmente nos escritos de Paulo. Veja por exemplo, a passagem de Romanos 5:1, “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo”. Paulo diz também que “aos que chamou, a esses também justificou” (Rm 8:30). Em Atos 13:39, também foi dito, “e, por meio dele, todo o que crê é justificado de todas as cousas…”. Mas o que é ser justificado? Ao contrário da regeneração que visa uma mudança interna no homem, a justificação é um ato puramente judicial (por isso, é um termo forense), onde Deus como nosso juiz nos perdoa e nos declara isentos de todas as nossas faltas e culpas passadas. Somos então livres da culpa e de quaisquer condenações. A justificação não se repete e nem mesmo é um processo, mas dá-se num ato, de forma completa e para sempre. Deus nos declara perdoados! Estamos livres de toda condenação.

O milagre da justificação é algo que nos remete aos méritos de Jesus Cristo, pois na cruz Ele satisfez toda justiça divina. Entretanto, há que se fazer algumas observações em relação ao ato da justificação: Primeiro, descobrimos que mesmo após justificados, temos ainda problemas com o pecado e a Bíblia nos ensina a confessarmos estes pecados. Uma segunda coisa, e isto é uma interrogação: será que o fato do cristão ser justificado em Cristo, lhe isenta de fazer uma confissão de seus pecados? De arrepender-se? Onde se encaixaria a necessidade do arrependimento, já que Cristo nos justificou de todos os pecados? Dentro da minha visão teológica, conforme já foi falado, o arrependimento deve ser uma atitude tanto anterior como posterior à conversão. Uma passagem que exige um arrependimento anterior à conversão está em Atos 3:19, que nos diz, “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados”. Arrepender-se, para converter-se e assim é claro, para ser justificado. Veja que não é o fato de Jesus ter levado todos os nossos pecados para cruz, que não precisamos confessá-los, mas pelo contrário, o arrependimento é uma ordem bíblica. Há passagens também na Bíblia que ensinam o cristão a arrepender-se de seus pecados, mesmo após sua conversão e também justificação. Veja o texto de João em sua primeira carta, “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1:9). Cristo também ensinou aos seus discípulos a orarem pedindo perdão por suas faltas, “…e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores” (Mt 6:12). Mas por quê Cristo nos perdoa de nossos pecados no momento que nos arrependemos e confessamos? João diz que porque ele é fiel e justo. Mas a quem? É a nós que Ele é fiel e justo? Também, mas aqui o texto se refere ao fato de que Cristo na cruz foi fiel e justo ao pai, pagando assim o preço por nossos pecados, e por isso, quando nos perdoa, o que faz é aplicar a justiça da cruz, por meio do seu sangue.

O grande teólogo reformado, Dr. A.A.Hodge, comentando a Confissão de Fé de Westminster, adotada pelas igrejas reformadas, após comentar sobre a regeneração e também justificação em Cristo, alerta-nos quanto a importância do arrependimento,

“Que, não obstante, ele é de tal necessidade que se torna inseparável do perdão, de modo que quem não se arrepende também não é perdoado”

Em outras palavras: é possível ser justificado por Cristo e ao mesmo tempo estar no estado de ‘não perdoado’? Isso é realmente possível? Eu acredito que sim. Mas quando? Quando não confessamos os nossos pecados a Deus e não nos arrependemos deles. Por isso volto a afirmar o que disse há alguns parágrafos atrás: O arrependimento e a confissão são meios bíblicos de apropriação (e não de efetivação – pois isso se deu na cruz) de nossa justificação em Cristo. Assim, finalizando, é preciso que além de ressaltarmos a importância da justificação em Cristo através do seu sacrifício vicário por nós, também salientemos a nossa responsabilidade de confessarmos nossas culpas e faltas a Deus.

Só gostaria de concluir esta parte argumentativa, fazendo menção ao texto mais utilizado por aqueles que são contrários ao que temos aqui ensinado. “E assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2 Co 5:17). Eu louvo a Deus por esta passagem, e acredito como você: Cristo já levou na cruz todos os nossos pecados e por isto já não há mais condenação para nós. Agora, a questão a se pensar mais uma vez é: Será que aqui, quando o apóstolo fala que as coisas antigas passaram, está querendo dizer com isto que é desnecessário confessarmos a Deus estas “coisas antigas?” Em outras palavras, será que Paulo nos está ensinando que na medida que nossas iniqüidades foram para a cruz, a confissão destes pecados é então desnecessária? Se assim fosse, então teríamos de abolir da vida cristã a necessidade da confissão e do arrependimento dos pecados, ensinos tão enfatizados nas escrituras e igualmente cruciais tanto nas mensagens de Jesus quanto na dos apóstolos. Mas parece que não é assim que a Bíblia nos ensina. Não há qualquer conflito entre estas verdades ensinadas nas Escrituras. A mesma Bíblia que nos ensina sobre justificação em Cristo e que as coisas do passado, passaram, nos admoesta também a que confessemos arrependidos nossos erros a Deus. Pois bem, é preciso que encontremos dentro de nossa teologia, um lugar igualmente especial para as doutrinas do arrependimento e da confissão, assim como para nossa justificação em Cristo (base tanto para o arrependimento como para a confissão). A cruz continua sendo o fundamento de tudo.

Eu quero concluir dizendo, que uma das coisas que temos feito em nossos seminários de libertação nas igrejas locais, é instruirmos os crentes a fazerem uma listagem, tanto de pecados passados como dos presentes, que ainda não foram confessados, para que possam ser verbalmente colocados diante de Deus em atitude de arrependimento. Muitos têm sido os testemunhos de libertação e de uma nova liberdade em Cristo a partir daí. Vamos descobrir que muitos dos pecados que ainda praticamos no tempo presente, já encontram suas raízes no tempo em que ainda não conhecíamos o Senhor Jesus. Nos convertemos, mas não nos arrependemos especificamente destes pecados e o ciclo de quedas infelizmente continua ainda nos perseguindo (confessar-cair, confessar-cair, confessar-cair,…). É preciso que se faça uma sondagem em nossa história, vejamos desde quando estamos vivendo nestes erros a que estamos escravizados e aplicarmos ali o sangue de Cristo, pois como já lemos, “e sem derramamento de sangue, não há remissão” (Hb 9:22).

Santificação:

A minha experiência com a santificação após minha conversão foi algo interessante. Após entregar minha vida ao Senhor Jesus, eu fiquei tão tomado de alegria e êxtase, que pensei que o pecado não teria mais força e inclusive nem existência em minha vida. Eu me via um santo. No entanto, após um tempo de convivência com o evangelho comecei a perceber que velhas inclinações para o pecado começaram de novo a emergir. Lutas com os pensamentos, com as minhas palavras, com o orgulho,…., em suma, lutas comigo mesmo. Que coisa!? Eu pensei que em Cristo estaria livre destas tentações e nunca mais iria pecar. É engraçado, mais eu realmente achava isso. Mas com o tempo fui aprendendo o que João nos ensina em sua primeira epístola, “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque havemos de vê-lo como ele é”(3:2). Ser semelhante a Jesus, este se tornou o meu alvo desde quando me entreguei completamente a Ele. Este é o desejo de todo aquele que já nasceu de novo!

De maneira geral, a Bíblia nos ensina duas coisas sobre a santificação: Que ela é posicional e também processual. Quando nos convertemos a Cristo, tornamo-nos de fato, santos. Por diversas vezes na Bíblia os cristãos são chamados assim. Veja, por exemplo em Efésios 1:1, “…aos santos que vivem em Éfeso” e também em Filipenses 1:1, “…a todos os santos em Cristo Jesus”. E assim poderíamos citar diversas passagens mostrando que realmente o cristão em Cristo é santo. Isto é uma santidade posicional, ou seja, advém de nossa posição de regenerados, em Cristo. Mas o problema é que ainda somos santos que pecamos. Temos lutas com a nossa natureza decaída. Por isso somos também convidados a desenvolver a nossa santidade. Por diversas vezes as Escrituras nos orienta a buscarmos uma vida correta perante Deus e assim, mortificarmos dia a dia o velho homem. Santificação foi o desejo e a oração de Jesus pelos discípulos, “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (João 17:17). Paulo também intercedeu pelos tessalonicenses nesta mesma direção, “O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (I Tess 5:23). Em Efésios 4:12 se diz que os santos devem ser aperfeiçoados.

A santificação é um processo de aperfeiçoamento, onde por intermédio do Espírito Santo, a velha estrutura do pecado vai sendo posta abaixo dia a dia. Nesta etapa é fundamental a nossa cooperação, evitando dar lugar ao diabo assim como ao pecado. Mas é preciso que se tenha em mente que sermos santos no sentido exato e literal do termo, será uma realidade somente no céu, quando lá o corruptível se revestir do incorruptível e o mortal se revestir da imortalidade (I Cor 15:53).

Agora, eu acho que convém correlacionar também a santificação com o processo da libertação. Como eu já disse, quando aceitamos a Jesus, o que é regenerado em nós é o nosso espírito (cf. Ef 2:1-2; João 3:6), já a nossa alma e corpo estão neste processo denominado santificação. Em relação à nossa alma (ou mente) Paulo disse, “…transformai-vos pela renovação da vossa mente” (Rm 12:2) e também quanto ao corpo, nos instruiu, “E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências” (Gl 5:24). Pois bem, eu tenho crido que são exatamente nestas esferas onde ainda não estamos totalmente libertos e livres, que os demônios podem nos atacar, isto é, se dermos lugar. Mas vamos pensar, por exemplo, em pessoas que vem para a igreja, aceitam a Jesus, mas no seu histórico de vida, passaram anos e anos nas sessões espíritas invocando entidades e fazendo os mais diversos pactos. Quando vão confessar Cristo como senhor de suas vidas, geralmente são invadidas por estas forças malignas que querem é claro impedir sua libertação. Após expulsá-las e a pessoa conseguir verbalizar sua confissão a Cristo, saem da igreja às vezes com uma sensação nunca antes sentida de paz e liberdade. Mas quem trabalha com libertação e está acostumado a lidar com indivíduos que vieram ‘carregados espiritualmente’ para igreja, vai concordar comigo numa coisa: Os demônios vão continuar perseguindo, perturbando e em muitos momentos até invadindo-os novamente. Nestes casos temos visto alguns se demorarem até dois ou três meses para serem totalmente libertos. Diante disso, a pergunta que fazemos é: Mas esta pessoa não nasceu de novo? O Espírito Santo não está nela? Eu acredito que muitas delas já nasceram de novo, são templos do Espírito Santo, mas ainda estão susceptíveis a invasões (sobretudo os novos na fé). São casos até certo ponto difíceis de serem explicados, mas acontecem com freqüência na prática.

Alcione Emerich

 

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