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GRAÇA E LEGALISMO - ONDE VOCÊ SE ENCONTRA?

Uma triste realidade que constatei em minha própria vida, foi a “incredulidade em relação à graça de Deus”. No fundo, eu não cria na graça. Eu acho que isto tem também acontecido com muitos dos nossos irmãos. Não sabemos o que é graça, não servimos a Deus como um ser gracioso. No fundo, nos sentimos mais seguros na lei do que na graça. Só para exemplificar, eu encontrei um pastor amigo meu que veio me comentar a leitura do livro de Charles Swindol, O Despertar da Graça.

 

Ele disse que gostou do livro e comentou, ““é…o Swindoll pegou leve neste livro…”. Abruptamente, em seguida, ele disse com muito mais entusiasmo, “mas em compensação no outro que ele escreveu foi uma pancada! Pegou pesado com a pastorzada…”. Eu senti que a boca dele espumou ao falar do segundo livro, pois gostou muito mais da pancada do que da graça. A impressão que tenho é que tememos a graça. Sentimos mais segurança no Deus da lei. Talvez por ser mais previsível, mais ou menos assim, “eu obedeço tanto, Deus me abençoa tanto… se guardo tanto dos mandamentos, então mereço tanto de bênçãos…”. Mas igualmente, “se guardo muito dos mandamentos, e não vejo o resultado prático em bênçãos da minha obediência (como foi o caso do filho mais velho) posso com isto também revoltar-me, acusando Deus de injusto”. Se subliminarmente tivermos esta mentalidade, pensamos com escravos e não conhecemos o Deus da graça. É a velha auto-confiança dos fariseus, que não podiam compreender a mensagem da graça divina.

Faz alguns dias que li uma frase de um autor que dizia, “Salvação é de graça, mas a unção tem um preço”. Meditei sobre esta expressão, e embora, a meu ver, haja algo nela de verdadeiro, no fundo conclui que nós evangélicos somos mesmos “incrédulos em relação à graça de Deus”. Sobre a graça de Deus, só nos restou o milagre da salvação e nada mais. O resto, como comumente falamos, é necessário pagar o preço! Deste modo, conhecemos o Deus da graça apenas no ato da salvação, mas em seguida, não servimos mais o Deus da graça. É como se retrocedêssemos à lei, porque, como já disse, isto nos traz mais segurança. Por que nos sentimos mais seguros em vivermos debaixo da lei e não da graça? Você já escutou: “Pague o preço da oração!” “Pague o preço da santidade!”. “Pague o preço, disso e daquilo…”. Aqui vou dizer como Paulo, falo como homem, talvez eu esteja errado, mas pode ser que não. Nos meus últimos dias eu tenho pedido a Deus que não me faça orar mais, jejuar, ler a Bíblia, etc., visando pagar o preço. Eu quero fazer isto por amor, por paixão e por desejo de conhecê-lo mais e mais. Eu amo demais a minha esposa e meu filho, por isso, eu não preciso “pagar o preço” para ficar com eles e estar ao lado deles. Mas se algum dia eu parar de amá-los (que Deus nunca permita isso) ai talvez, eu terei de pagar este preço. Será tão somente um ato da disciplina. Nas viagens que faço, dando seminários, em praticamente quase todos os fins de semana, eu “pago o preço” deixando minha esposa e meu filho em casa. É duro ficar longe deles. Por que pensamos diferentes em relação a Deus? Não lhe incomoda a idéia de que devemos pagar o preço para ficarmos mais pertos de Deus? Este pensamento me incomoda.

Desconfio que na verdade, “deixamos o primeiro amor”, conforme Apocalipse 2:4. Quem deixou o primeiro amor, precisa pagar o preço para orar, se santificar, ler a Bíblia, etc, e não me admira que estas tarefas espirituais possam se tornar bem pouco prazerosas. Na verdade, eu me lembro quantas vez colocaram tanto peso sobre mim e eu mesmo também coloquei, com base neste argumento: “Você que trabalha na área que trabalha, tem que pagar o preço!”. Resultado: Paguei mesmo o preço, mas sabe qual? Um estresse do qual até hoje não me vejo completamente recuperado, medicações controladas que tomei por um tempo, vitaminas que até hoje tomo, sessões de terapia (pra não enlouquecer de vez), etc. Este foi o alto preço de viver um evangelho sem a graça de Deus.

Ultimamente, eu tenho experimentado um pouco mais do que é servir a Deus por amor somente e obedecê-lo por desejar estar mais pertinho dele. Eu creio que é isto que João lembra aos efésios, quando instou com eles que voltassem à prática das “primeiras obras”, para que o primeiro amor assim retornasse. Interessante, que quando João afirma que os efésios “abandonaram o primeiro amor” e que os mesmos deveriam “voltar à prática das primeiras obras”, ele afirma também que a conseqüência de tudo isto, caso não houvesse um real arrependimento, seria o fato deles se tornarem um candeeiro sem “luz”. Que interessante: A religiosidade nada mais é do que o sal que deixou de salgar e a lamparina que não mais alumia. Mas por que isto acontece? Simplesmente porque deixamos o primeiro amor. Desconfio agora, que posso definir “religiosidade” como a tentativa de servir a Deus sem amor. Tudo se torna vazio e mecânico. Quando eu era mais novo na fé, ninguém precisava me mandar orar, ler a Bíblia, jejuar, eu fazia isto por amor e a paixão a Deus. Não havia um “preço a ser pago”, mas sim algo que brotava de um coração completamente apaixonado, que no auge da adolescência e juventude, deixou tudo para servir a Deus no alto sertão do Pernambuco, e por lá ficar cerca de 8 meses. Ninguém me disse: “Vá fazer missões, você precisa pagar o preço!”. Não, eu é que perguntei a Deus: Será que sou digno de tamanho privilégio? Quando o avivamento vier, a religiosidade terá de ser lançada fora do nosso meio. O “alto preço” será estarmos longe de Deus, através da oração e da sua Palavra. O “maior prazer” será estarmos debruçados diante dele, buscando-o com intenso amor e desprendimento. Que chegue este tempo! “Nos faz voltar ao primeiro amor, Senhor, em nome de Jesus!”.

Finalizando, relembremos o alerta de Jesus aos seus discípulos, “Acautelai-vos do fermento dos fariseus” ( ). O espírito de religiosidade tem escravizado muito dos cristãos e nos tem feito perder o amor por Deus e pelo nosso próximo. Este espírito leva-nos a exaltar a letra, em detrimento do espírito. Leva-nos a manter uma relação fria com nosso Pai celestial e com nossos irmãos. Só há então uma maneira de mudarmos: Deixando Deus mudar a nossa mentalidade!

Alcione Emerich

 

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